sábado, 23 de outubro de 2010

O dia acordou triste.

O galo do vizinho dá os primeiros cânticos de manhã.
Bem tento abrir os olhos, custa-me, mas um pouco de esforço lá consigo ver a côr branca do tecto de meu quarto.
Bucejo, espreguiço, esguincho, rasmungo, enfim...mais um dia.
Abro a janela, á espera que me entre a luz do sol no quarto.Nada acontece...
- O dia acordou triste.
Entra uma brisa de ar adentro, de cheiro a lenha queimada...não gosto!!!...mas sabe-me bem, este perfume da natureza a mexer com os meus sentidos.
Os pássaros cantam..., saltam de galho em galho, de árvore em árvore, a brincar,contentes , com toda a liberdade que têm para o fazer, para darem os bons dias de um novo dia a nascer.
O sol espreita, tardam aparecer os raios de sol..
Mas para mim...
- O dia acordou triste.
O som de um cão a ladrar ouve-se sem parar...será para afastar as nuvens que escondem o sol?
Dentro de casa um silêncio enorme, é altura de tratar de mim.
Chapeio as primeiras gotas de água na minha face, a ver se desperto, ao contrário da manhã que tardeia.
Olho-me ao espelho...um dia mais velho na minha vida, fico a pensar...tiro a roupa e vou para a banheira.
Ai que bom...sentir a água quente a bater na pele, que prazer dá.
Deixo a banheira atrás, ponho o roupão e vou tratar da fome que me agarra.
Torradas e um copo leite com chocolate a minha escolha.Olho para o relógio...há tempo.
Mastigo e em meu redor um silêncio...este silêncio...só existe o barulho crocante do mastigar da torrada.
Um gole da bebida aquece-me a alma.
Mas para mim...
- O dia acordou triste.
Lavo a loiça, arrumo as coisas...olho para o relógio...há tempo.
Abro o guardafato e tento escolher o que me ficará bem.
Coloco a camisa azul a estrear, calça de ganga e uns sapatos castanhos.
O meu fio prateado, o relógio a condizer e o perfume especial completam a cerimónia.
Fica o cheiro do ar do perfume...o seu cheiro amadeirado abafou o cheiro da lenha queimada,
a brisa já vem limpa, parece que já não cheira a queimado.
 Mas para mim...
- O dia acordou triste.
Visto o casaco castanho...olho para o relogio...tá quase...ainda tenho tempo.
Vou á rua fazer um visita ao meu fiel amigo e trato-lhe do lanche...é o Lorde,o meu cão a  minha companhia, o meu guardião.
Fecho a porta de casa, olho para o relógio...falta pouco...
Volto a cumprimentar o Lorde, agajo-me e passo-lhe a mão no pêlo várias vezes e ele retribui com uma lambedela na minha cara.
Despeço-me do Lorde , com até logo e ele responde-me com um ladrar " agradecido".
O sol está a aparecer, a claridade é imensa, a brisa quente bate na minha face, coloco os óculos de sol.
Oiço um barulho de carro a chegar, uma apitadela... olho o relógio...chegou a horas e desço as escadas.
Um sorriso invade o meu rosto, abro a porta do carro, e sou recebido com outro sorriso enorme.
Sento-me e olho para ela, nuns segundos só penso naquela beleza , os seus olhos alegres dizem tudo, o seu cabelo preto apanhado, os brincos pendurados que lhe ofereci em prata condizem com a côr de seus olhos, os meus pensamentos pararam o tempo,  o cheiro de nossos perfumes misturam-se no ar.
Um olhar,uma caricia um beijo fazem o tempo andar.
Vamos???diz ela
Claro amor!!!...respondo.
E digo-lhe:
Sabes? O dia acordou triste, mas eu sou um homem feliz por te ter ao meu lado.







   

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